Fazer alterações significativas na interface quando se tem dezenas de milhares de usuários ativos é desafiador, porque o tempo de reaprender a utilizar a ferramenta pode impactar negativamente o uso e, por consequência, o negócio. Entendendo que esse era um desafio realmente necessário para a expansão do software e um passo na direção da visão de produto, utilizamos medidas de mitigação de risco para fazer a entrega.
O que motivou a mudança na arquitetura da informação
A visão da empresa ficou mais ousada, com o objetivo de tornar o software o centro de organização e trabalho de advogados autônomos e escritórios de advocacia. Isso aumentou o número de colaboradores, squads e funcionalidades lançadas — sem um planejamento prévio desse crescimento, o menu lateral foi ficando cada vez mais cheio, com funcionalidades escondidas pelo scroll em alguns tamanhos de tela, o que impactou diretamente métricas de uso de funcionalidades importantes.

Esse impacto negativo coincidiu com a revisão dos princípios de design e da identidade visual do software, também motivada pela nova visão da empresa: confiança/segurança, facilidade, qualidade, inovação e proximidade. Revisar a arquitetura da informação e o menu levaria o produto a outro patamar de qualidade e posicionamento, além de ter potencial para aumentar a descoberta e o uso de mais funcionalidades por usuário.
Explorações de UI e teste de usabilidade com feedbacks majoritariamente positivos
Usamos dados da pesquisa de personas — como a divisão das tarefas dentro de um escritório de advocacia — para orientar a organização das funcionalidades no novo menu, além da motivação para trocar nomes iniciados por "Jus", como JusFinder e JusFile. Foram criadas 4 versões diferentes, discutidas em 2 Design Critiques com PMs e PDs, avaliando organização e experiência de cada opção.

A versão escolhida para seguir para o teste de usabilidade foi o menu lateral com dois níveis: agrupava as funcionalidades em categorias que refletiam o raciocínio do advogado, permitia adicionar novos itens dentro de uma lógica simples e ajudava a despertar a curiosidade sobre funcionalidades próximas às que o usuário já utilizava.
Enquanto eu trabalhava no menu, a Product Designer Isabela Eckhard testava mudanças para a tela inicial do produto. Ela criou um protótipo navegável e conduziu um teste de usabilidade não moderado do menu e da tela de início.
Tivemos bons feedbacks de ambas as mudanças testadas: tanto a nova tela de início quanto o novo menu tiveram notas de satisfação acima da média e comentários majoritariamente positivos. Ficou clara a atenção necessária às nomenclaturas confusas — em uma das gravações, o usuário precisou abrir a aba da Jusfy para lembrar como se chamava a funcionalidade "JusFinder".
Rollout progressivo e acompanhamento pela pesquisa CES
Com o resultado positivo do teste de usabilidade e a validação da alta liderança, a squad de Jornada implementou o novo menu e fizemos um rollout progressivo para mitigar riscos: primeiro para novos usuários, depois para grupos de usuários antigos.
Acompanhamos os resultados diariamente — tickets de suporte, respostas quanti e quali da pesquisa CES e dados de uso do menu, da plataforma e do retorno de versão — o que nos deu clareza de que a entrega foi tranquila, mesmo mudando a forma de navegação.

Próximos passos
Para o melhor uso do novo menu, cada squad precisa implementar um header padrão e badges de contagem em cada uma de suas funcionalidades. Entendemos que isso pode potencializar o uso do menu.
Além disso, vamos criar uma central de notificações — aproveitando tanto o novo menu quanto o lançamento do aplicativo — com o intuito de impactar métricas de uso como o stickiness, que não melhoraram apenas com a mudança do menu.